quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Privilegiada velhice
  
O anúncio de sua morte se deu em 2009, poucos dias antes dela completar noventa e nove anos de idade. Em 2005, foi descoberta por uma equipe de reportagem, realizando seu voluntariado junto a idosos.
Natural de Bassano del Grappa, norte da Itália, veio para o Brasil fugindo da guerra.
Ela ganhou as telas das emissoras televisivas, sendo entrevistada em dois programas nacionais, em 2008. Numa delas afirmou que, no ano anterior, aos noventa e sete anos, tinha renovado sua carteira de motorista.
E, apesar de recomendações dos familiares para abandonar a direção, ela continuou a comparecer ao serviço voluntário, em dois locais diferentes, dirigindo seu fusca laranja, ano 74.
Recebeu do governo do Rio Grande do Sul o troféu Ana Terra, pelos relevantes serviços prestados à comunidade.
Radicada em Bento Gonçalves, no estado gaúcho, demonstrava agilidade física e mental.
Seu nome é Ana Varianni. Servindo ao seu semelhante, no Lar do ancião e na Sociedade Beneficente Santo Antônio, mostrava grande carinho.
Em uma das instituições, era responsável por nada menos de doze idosos, que se encontravam na faixa dos setenta-setenta e cinco anos.
Servia-lhes a alimentação na boca, dadas as deficiências de que eram portadores. E, no seu sotaque italiano carregado, que lhe conferia ainda mais especial sonoridade, ela amassava a comida para os que não tinham possibilidade de boa mastigação e incentivava:
Ora, vamos, onde se viu uma senhora dessa idade não querer comer? Se não comer, não pode viver. Vamos lá!
Cuidadosa, afirmava que agora, quase aos cem anos, não se permitia dirigir em grande velocidade, ia devagar. A uma indagação espirituosa do entrevistador que se disse apaixonado por ela e lhe propôs casamento, ela objetou:
Meu amigo, nessa altura da vida, o melhor é que sejamos bons amigos!
Seu filho assim se expressou, quando da ocorrência de sua morte: Tenho a melhor das lembranças de minha mãe. Ela viveu intensamente e alcançou todos os objetivos da vida dela com os filhos, os netos e trabalhando para o bem-estar da sociedade.
*  * *
Ana morreu deixando o exemplo do dinamismo que os anos não podem apagar. Altera-se a máquina física, as forças já não são tão intensas, contudo, a vontade de agir permanece firme.
Exemplo para tantos que nos dizemos tristes porque já não podemos fazer tudo que fazíamos na juventude. Seria de analisar: Será que não conseguimos mesmo ou será que nos acomodamos, em nome de uma certa soma de anos vividos?
Exemplos inúmeros existem que nos demonstram que o Espírito se sobrepõe ao corpo e o comanda.
Maia Plisetskaya,  a bailarina russa, aos sessenta e um anos de idade, com um corpo impecável de bailarina clássica, dançou O lago dos cisnes.
Interpretou a infeliz Odete que, transformada em cisne branco morre de amores. Extraordinária performance.
Essas criaturas nos dizem que devemos sacudir a poeira dos ombros, retirar as teias de aranha do pensamento e viver.
Viver intensamente, não nos permitindo parar de aprender, de estudar, de produzir. Da forma que consigamos.
Alguns poderemos ter algumas limitações. Busquemos superá-las e, de uma vez para sempre, retiremos do nosso vocabulário as frases: Estou velho. Não sirvo mais para nada.

Redação do Momento Espírita.
Em 28.08.2012.

domingo, 9 de setembro de 2012



Só depende de nós...
Charles Chaplin

"Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia noite. É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje.

Posso reclamar porque está chovendo ou agradecer às águas por lavarem a poluição.
Posso ficar triste por não ter dinheiro ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças, evitando o desperdício.
Posso reclamar sobre minha saúde ou dar graças por estar vivo.

Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado tudo o que eu queria ou posso ser grato por ter nascido.
Posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalho. Posso sentir tédio com o trabalho doméstico ou agradecer a Deus por ter um teto para morar.

Posso lamentar decepções com amigos ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades. Se as coisas não saíram como planejei posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar.

O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser. E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma.

Tudo depende só de mim."

quarta-feira, 29 de agosto de 2012


 O Preço da Idade
Silvia Schmidt

UM GRANDE PREÇO QUE PODE SE PAGAR PELA IDADE:

- Não é uma aparência menos jovem ou menos bela:
é o peso da inconformação com isso.

- Não é olhar para trás e ver que muito se perdeu por lá:
é deixar de atentar para o quanto se pode ganhar no " já ".

- Não é ter alguns movimentos limitados por ela:
é não perceber que a vida continua em movimento
contínuo e equilibrado para cada fase de si mesma.

- Não é ser rejeitado pelos mais jovens:
é esquecer-se das vantagens que a experiência
e a vivência sempre trazem.

- Não é ser esquecido em convites para festinhas de "embalo" :
é tornar-se indiferente à festa da Vida.

- Não é a tão frequente ausência de romantismo:
é a descrença no amor, que não escolhe tempo.

- Não é a frustração de ver-se excluído da chamada "moda jovem" :
é a não percepção de que bom gosto não sai de moda.

- Não são os finais de semana diante da televisão:
é a recusa em reconhecer que há outras alternativas
menos enfadonhas e repetitivas.

- Não é a crença de que o raciocínio torna-se mais lento:
é dar-se como incapaz para novos aprendizados
e parar de exercitar a inteligência.

- Não é o dizer-se "realista" :
é dar adeus aos sonhos ainda não realizados
e desistir de sonhar.

Mas o GRANDE e MAIOR preço que pode se pagar pela idade
é desistir de si mesmo,
crer que a Vida se acabou quando ela mal começou.


sábado, 18 de agosto de 2012



COMODISMO E MODOS DE VIDA
Autor Desconhecido.

Uma coisa que acho muito interessante, é a maneira com que a maioria das pessoas encara a própria vida. Existe um certo fatalismo com certos conceitos que "não se discutem".
Por exemplo, quantas vezes um casal que já não se entende mais, permanece junto "por causa dos filhos" , ou então porque "o que vão dizer os amigos, ou parentes".
Ou então, permanece-se em um emprego, "só por causa da segurança".
Por vezes, deixa-se passar oportunidades de grandes mudanças na vida "só para não ficar longe da família".
Esses, são conceitos que tendem a levar ao comodismo na vida. Na verdade, o que faz com essas pessoas se apeguem aos conceitos, é uma certa covardia em enfrentar mudanças. Por medo do insucesso, não se vai atrás dos sonhos, do grande objetivo na vida. Existe uma frase cujo autor desconheço, que diz simplesmente, que o medo de perder nos impede de ganhar.
Exemplificando, quando resolvemos ir para o Congo, tivemos que enfrentar forte oposição de familiares e amigos, que diziam ser rematada loucura o que iríamos fazer, e como poderíamos viver longe de todos. Não posso dizer como seria minha vida se não tivesse ido... só sei que não teria aprendido a grande lição de vida que aprendi vivendo lá, além de outras vantagens pecuniárias... Enfim... são decisões que devem ser tomadas na hora certa, e da maneira correta.
E que grande verdade é este pensamento. Assim, cada vez que nos surgir a pergunta: será que vai dar certo? O que realmente há que se fazer, é mudar o rumo da pergunta para: o que é preciso fazer para que dê certo?
Geralmente quando se chega a uma encruzilhada, não podemos perder muito tempo com indecisões. Um caminho tem que ser seguido, e quanto mais rápido, melhor.
Agora o que mais serve de entrave, são os velhos conceitos de vida, que costumam ser apresentados como "verdades absolutas", e ficam muito arraigados dentro do espírito de muita gente.
Outro tipo de "verdades absolutas" é aquele apresentado pelos pais que procuram determinar os destinos dos filhos, porque sabem "o que é melhor para eles". Ora, os jovens devem ser preparados para escolher seus destinos, ao invés de ter de seguir caminhos já traçados.
É uma diferença muito grande, entre orientar-se os filhos preparando-os para que eles possam escolher que rumo tomar na vida, seguindo seu sonho, sua vocação, ou simplesmente escolher que carreira os filhos devem seguir, "porque é melhor para eles".
Quem deve saber o é melhor para eles, são eles mesmos.
O principal é ter coragem para tomar decisões. Se serão certas ou erradas, o tempo dirá.
O importante, é tomá-las.

segunda-feira, 30 de julho de 2012


O Rio

O rio corre em direção ao mar. Durante o seu percurso, ele ganha velocidade, até o momento em que se defronta com algumas curvas, que o fazem diminuir o ímpeto de encontrar o grande oceano.

Quando passa por esses obstáculos da natureza, encontra pedras grandes em seu leito, que lhe rasgam a superfície e lhe modificam o curso e o ritmo natural.

Assim, entre barreiras e percalços, ele segue a sua trajetória com uma só certeza: a de que encontrará o mar, ganhando a liberdade e alegria almejadas.

A vida de todos nós se assemelha ao curso de um rio.

Estamos constantemente traçando planos, buscando um oceano de sonhos e realizações, seja no âmbito pessoal ou profissional.

Inúmeras vezes deparamo-nos com obstáculos que nos impedem de seguir adiante da forma inicialmente planejada.

É o momento em que a vida nos mostra que precisamos trabalhar, em nós mesmos, inúmeras virtudes, entre elas a fé, a resignação e a paciência.

Manter viva a crença de que somos capazes de alcançar nossos objetivos, apesar de todas as curvas e pedras que encontrarmos no caminho, torna-nos fortes o suficiente para continuar adiante.

Não há fronteiras para quem sabe o que deseja e possua a persistência para buscar.

Se os desvios na trajetória nos trazem dor e tristeza, acreditemos que, mais adiante, a tão almejada felicidade será alcançada.

Não nos apeguemos a essas dores passageiras. Entendamos que elas fazem parte da caminhada, rumo ao objetivo final.

Assim como as pedras modificam o curso e a velocidade dos rios, pode ser que os percalços do caminho nos deixem cicatrizes e nos façam esperar mais tempo para alcançar nossos mais profundos sonhos.

Mas, quando exercitamos a paciência e carregamos a certeza de que as metas finais serão alcançadas, essas cicatrizes deixam de ter importância. Apenas contarão uma história.

A porta da real felicidade exige sacrifícios. São justamente essas lutas que conduzirão a alma à imensa ventura.

Para atravessarmos essa porta, basta que mantenhamos firme a vontade e que não enfraqueçamos diante das lutas, confiando que estamos amparados pelo amor Divino.

Jesus nos propôs coragem e bom ânimo diante de tudo o que sofrêssemos. O desalento e o desânimo perante os momentos críticos indicam inclinação à derrota.
*  *  *

À frente de toda dificuldade que nos apareça, trabalhemos no sentido de superá-la com alegria.

Diante de toda dor que nos alcance, realizemos o nosso esforço de modo a suplantá-la, mantendo a chama da esperança de tempos melhores adiante.

Se tivermos que sofrer e chorar, o façamos confiantes de que        Deus vela e que mais dia menos dia, nossos dramas serão resolvidos, se perseverarmos na ação feliz do bem até o fim.

Sem dúvida, Jesus é aquele que nos veio ensinar a extrair o lado bom e útil de todo sofrimento que nos seja imposto.

Redação do Momento Espírita, com base no cap.29, do livro Quem é o Cristo,
pelo Espírito Francisco de Paula Vítor, psicografia de J. Raul Teixeira, ed. Fráter.
Em 23.07.2012.

terça-feira, 24 de julho de 2012


 Velhice: Uma etapa da vida
 Psic. Simone Bracht

Hoje, aos 40 anos, sonho envelhecer com orgulho. Assim como disse Lya Luft no livro Perda e Ganhos, quero ser uma velha de espírito velho. Pois o espírito velho é mais sereno, elegante e sábio do que o jovem.

Tenho me perguntado por que as pessoas resistem à fase da vida que começa por volta dos 60 anos (segundo a OMS). Em geral, as pessoas com mais de 60 anos não gostam de ser chamadas de velhos ou de idosos e não gostam de ser percebidas como idosos. Lutam constantemente para parecerem jovens.

As pessoas com mais de 60 dizem que não se sentem bem ao serem chamadas de idosos ou de velhos. Dizem sentirem-se desvalorizadas, como um objeto velho que já não tem mais utilidade.  Sentem-se desrespeitadas e percebem uma carga de preconceito nestas palavras.

Mas porque não se sentir velho ou idoso? O que tem de ruim em ser um velho? Em que está o preconceito ou desvalorização? Nos mais jovens? Nos próprios idosos? Na sociedade como um todo?

Vivemos em uma sociedade voltada para a juventude. Apenas o que é novo é belo. E não estou falando apenas de pessoas, mas de objetos também. Apenas o que é novo e moderno é bom. Se a bateria do celular está gasta, não vale à pena trocar. Jogamos fora o aparelho e compramos outro, mais moderno, com câmera e acesso a internet. Roupa velha e confortável é só para usar em casa. Que mensagens são estas? Que velho é ultrapassado e descartável. Que só deve ficar em casa.  É nesta sociedade da novidade, dos lançamentos, da rapidez e da agilidade que nós temos que envelhecer aceitando nossas limitações e mudanças físicas. Aceitar o envelhecimento exige um alto grau de autoestima, para viver a velhice com satisfação.

Podemos ser velhos inteligentes, interessantes, esportistas, viajados, divertidos, com histórias para contar, com experiências para passar, com habilidades e felizes. É preciso entender que estas coisas não são possíveis apenas para os jovens. Ser velho ou idoso é uma etapa da vida na qual podemos ser muitas coisas. Não precisamos ser jovens para ser ou fazer o que queremos. Aliás, é muito mais fácil para um velho, com toda a sua experiência e maturidade escolher ser ou fazer o que quer. Os jovens, em geral, ainda precisam provar muitas coisas, para si próprios e para os outros, e nem sempre podem ser ou fazer o querem. 

O outro motivo pelo qual as pessoas se negam a envelhecer diz respeito à visão que temos de que ficar velho é acabar.  Velhice não é o fim. O fim é a morte. E para morrer, não é preciso estar velho, basta ter nascido. Então devemos viver esta etapa da vida como as outras, com planos de futuro, com amizades, família, quem sabe trabalho ou outras atividades que nos interessem.

Vamos fazer um breve balanço das etapas anteriores da vida. Quando somos bebês, não caminhamos e não falamos. São estas nossas desvantagens. Quando crianças, ouvimos não o tempo inteiro, não podemos dormir tarde, temos que obedecer nossos pais, então são estas as nossas desvantagens. Na adolescência temos inseguranças. Queremos crescer, mas temos medo da vida adulta. Estamos feiosos, desproporcionais e com espinhas. Na vida adulta nos falta tempo, nossa vida é cheia de preocupações. Temos que cumprir as regras sociais, bom emprego, casamento feliz, filhos bem educados, leitura e cinema em dia, e por aí vai.

A velhice é uma etapa da vida como as demais. Com coisas boas e ruins. Costumo dizer que velhice é coisa nova. Temos tido a oportunidade de ver na mídia reportagens sobre a longevidade e o aumento da expectativa de vida como algo novo. Sendo assim, a sociedade ainda não está pronta para entender a velhice como uma etapa da vida assim como a infância, a adolescência e a vida adulta. 

Há algumas décadas atrás a sociedade e as famílias precisavam se adaptar a novidade que era a mulher/mãe sair de casa para trabalhar. Hoje a sociedade e a família precisam se adaptar ao envelhecimento.

Ainda não sabemos com qual nome a sociedade e a ciência definirão esta etapa da vida. Hoje a sociedade chama de 3ª idade e a ciência denomina de idoso. O certo é que, independente do nome que será dado, ainda temos muito que aprender sobre esta etapa da vida e sobre como conviver e viver a velhice.

domingo, 22 de julho de 2012


 Perfume de gratidão

Jovem e idealista, ela partiu de sua terra natal, a Suíça, para ajudar a reconstruir a Polônia, depois da Segunda Guerra Mundial.
Ela assentou tijolos, colocou telhados, levantou paredes. Até o dia em que um homem cortou a perna e lhe descobriram os dotes para a medicina. Aí, junto a duas outras voluntárias, que tinham conhecimentos de medicina básica, foi servir num improvisado posto médico.
Certa noite, em que suas colegas tinham se deslocado para atender pessoas em outra localidade, ela ficou sozinha. Tomou o seu cobertor, enrolou-se e deitou sob a luz das estrelas.
Nada haverá de me acordar, hoje. Estou morta de cansaço.
No entanto, um pouco depois da meia-noite, um choro de criança a despertou. Ela pensou estar sonhando e não abriu os olhos. O choro voltou a lhe chegar aos ouvidos.
Meio dormindo, ainda, ouviu uma voz de mulher:
Desculpe acordá-la, mas meu filho está doente. Você precisa salvá-lo.
Bastou Elisabeth olhar, de forma rápida, para o garoto de três anos para descobrir que ele era portador de tifo.
Explicou para a mulher que não tinha remédio algum no posto. A única coisa que podia lhe oferecer era uma xícara de chá.
A mulher cravou nela os olhos, com aquele olhar que somente as mães em desespero possuem:
A senhora tem de salvar meu filho. Durante a guerra, nos campos de concentração, morreram doze dos meus filhos e este nasceu lá. Ele não pode morrer. Não agora que o pior já passou.
Elisabeth tomou uma decisão. Se aquela mulher andara tantos quilômetros para chegar até ali, se ela vira serem mortos uma dúzia de filhos na guerra e ainda tinha ânimo para rogar pela vida do único afeto que lhe restava, ela merecia todos os sacrifícios.
Tomou da criança e, com a mãe, caminhou trinta quilômetros, até encontrar um hospital. Depois de muita insistência, conseguiu que a criança fosse internada.
Mas havia uma condição: somente depois de três semanas, elas poderiam retornar para saber notícias. Afinal, o hospital estava cheio e os médicos atolados de tarefas.
Elisabeth voltou para as atividades do seu posto médico e tanto trabalho teve nas semanas seguintes, que até esqueceu o garoto.
Certa manhã, ao despertar, encontrou ao lado do seu cobertor, um lenço cheio de terra. Abrindo-o, viu, junto com a terra, um bilhete: Para a pani doutora.  Da senhora W.  Cujo último dos treze filhos você salvou, um pouco de terra abençoada da Polônia.
O menino estava vivo.
Um grande sorriso se abriu no rosto cansado de Elisabeth.
E ela compreendeu o que acontecera. A mulher andara mais de trinta quilômetros até o hospital e apanhara ali o seu filho vivo.
De Lublin, levara-o de volta até o povoado onde vivia. Pegara um punhado de terra do seu chão e tornara a andar muito para deixar, quieta, sem perturbar, na calada da noite, o seu presente de gratidão.
Elisabeth Kübler-Ross guardou o embrulhinho de terra que se tornou para ela o presente mais valioso que jamais recebera.
*   *   *
A gratidão é perfume acondicionado no frasco d’alma. As criaturas o deixam evolar-se, de forma sutil, envolvendo aqueles a quem são gratos, numa aura de bem-estar.
Naturalmente, ninguém realiza o bem esperando agradecimento mas, quando a gratidão se manifesta, é como a brisa que abençoa a tarde morna com sua presença.
Refaz corações e aumenta a disposição para novas realizações, em prol do próximo.
Redação do Momento Espírita, com base
no cap. 9, do livro A roda da vida, de Elisabeth
Kübler-Ross, ed. Sextante.
Em 16.07.2012.