quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Porque envelher é viver...
Por Renata Stuart
É o meu aniversário. Sim, não me importo em anunciar: Estou ficando mais velha hoje. Aliás, não só hoje, todos os dias, fico um pouco mais velha. Sim, essa é uma das poucas certezas que temos nessa vida. Todos (os que têm sorte), com o passar dos minutos, horas, dias, semanas, meses, envelhecem. Acontece que apenas nos anos é que a gente se lembra de celebrar isso.


E tudo ocorre de forma sutil, a gente quase nem sente num período de curto prazo. Vamos apenas vivendo e quando nos damos conta: Os anos se passaram. E, então, as marcas do tempo começam a falar. Não falo apenas de rugas ou cabelos brancos, falo das cores, gostos, sentimentos e sensações que ficam para trás, dando lugar a outros, nem melhores, nem piores, mas diferentes. O calendário da vida passa pra todos. Disso, não há como fugir.


Mas, calma, não quero fazer um texto dramático sobre “como-o-tempo-voa” ou “a-idade-chega-para-todos”. Nada disso. Pode continuar ai. Hoje, eu quero brindar a vida. Sim, acho justo! Afinal, há exatamente 22 anos, eu nasci. Num mês frio, durante a madrugada, num parto meio turbulento – sim, pois minha mãe visitou vááários hospitais naquela noite em busca de um médico obstetra – eu vim ao mundo. E, já que estou aqui de passagem, por que não comemorar essa deliciosa viagem que é a vida?


Não entendo bem porque as pessoas têm tanta neura com idade. Envelhecer é algo inerente ao ser humano. Estar velho ainda é estar vivo. Acho que isso deveria ser encarado como só mais uma fase – natural e especial – da vida. Afinal, não é só você que está ficando velho, mas todos da sua geração. E é hora de viver isso juntos, encarar a situação de frente, assumir o tempo de cabeça erguida. Bom, não serei hipócrita. Sinto saudades da minha infância, dos meus quinze anos e sei que, um dia, vou sentir saudade dos 22.  E quando penso que estou próxima dos 30, então?! Sinto um friozinho na barriga como que um misto de tristeza e ansiedade. Tristeza porque sei que terei deixado para trás uma época memorável. A universidade, os amores mal resolvidos, aquela dose de irresponsabilidade, o namoro, as primeiras conquistas, e a famosa “época de arriscar”. Tudo isso vai passar, eu sei. E ansiedade porque sei que há uma outra fase única me aguardando.



Mas é assim que tem que ser. São essas velinhas que sopramos ao longo da vida que nos acrescentam algo como pessoa. São os momentos vividos, experiências adquiridas e escolhas feitas que dão o peso necessário à nossa bagagem. Tenho que prosseguir. E, se para correr atrás dos meus sonhos ainda não alcançados, terei que continuar envelhecendo, que venha o tempo, e que venham muitas velas para eu soprar, pois meus anseios são muitos e tenho planos para um século. Já dizia minha bisavó: “Quem não quer ficar velho, tem que morrer novo”.


É por isso que, hoje, eu só quero sorrir para a vida. Sorrir para todos a minha volta e para mim mesma. Sorrir como alguém que não tem a vida perfeita, mas como alguém que é feliz com o que tem e com o que se tornou. Sorrir como quem é grata pela família inigualável, pelo lar, pelos amigos verdadeiros e pelo amor companheiro. Sorrir pelos abraços, beijos e palavras sinceras. Sorrir pela saúde, pela determinação, pela esperança. Sorrir pelo maior presente que eu podia receber: estar viva! 

http://www.atelierdepalavras.com.br

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Arnaldo Antunes

A coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer
A barba vai descendo e os cabelos vão caindo pra cabeça aparecer
Os filhos vão crescendo e o tempo vai dizendo que agora é pra valer
Os outros vão morrendo e a gente aprendendo a esquecer

Não quero morrer pois quero ver
Como será que deve ser envelhecer
Eu quero é viver pra ver qual é
E dizer venha pra o que vai acontecer

Eu quero que o tapete voe
No meio da sala de estar
Eu quero que a panela de pressão pressione
E que a pia comece a pingar
Eu quero que a sirene soe
E me faça levantar do sofá
Eu quero pôr Rita Pavone
No ringtone do meu celular
Eu quero estar no meio do ciclone
Pra poder aproveitar
E quando eu esquecer meu próprio nome
Que me chamem de velho gagá

Pois ser eternamente adolescente nada é mais demodé
Com uns ralos fios de cabelo sobre a testa que não para de crescer
Não sei por que essa gente vira a cara pro presente e esquece de aprender
Que felizmente ou infelizmente sempre o tempo vai correr

Não quero morrer pois quero ver
Como será que deve ser envelhecer
Eu quero é viver pra ver qual é
E dizer venha pra o que vai acontecer

Eu quero que o tapete voe
No meio da sala de estar
Eu quero que a panela de pressão pressione
E que a pia comece a pingar
Eu quero que a sirene soe
E me faça levantar do sofá
Eu quero pôr Rita Pavone
No ringtone do meu celular
Eu quero estar no meio do ciclone
Pra poder aproveitar
E quando eu esquecer meu próprio nome

Que me chamem de velho gagá.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

ENVELHECER COM AMOR
Fátima Abreu

O carinho de anos levam no peito...
Rugas, criaram juntos.
As dores apareceram também...
O desgaste do corpo acontece dia a dia
Chega um ponto, que nada adianta mais:
É viver bem, o que ainda se tem...

As palavras doces combinam com as compotas de frutas...
Ela faz.
Na beira do fogão, sorri
Escuta um barulho na porta da cozinha
É seu velho companheiro que entra por ali.

Senta-se na cadeira, já com a madeira bem gasta pelos anos
Nunca trocaram a mobília, sempre foi a mesma desde o casamento.
Coisas que trouxeram, ali ficaram, e o sentimento nostálgico daquela época, reviviam...
Era uma cumplicidade, de toda uma existência!
Sorriem juntos, choram também...
Caminham de manhã pelo grande quintal,
Molhando flores, "aguando matos", como ele diz
Depois, voltam para a cozinha
Tomam finalmente o café da manhã
Regados a leite ou mingau
Café, pão e queijo.
Entre uma coisa e outra, um beijo...

Carinho, não enruga, como sua pele.
Amor, não sai do coração!
Beijos podem ser dados, ainda que com cabelos grisalhos...
Cumplicidade, fortalece!
Esse é o fim, que cada um de nós, merece.

A colcha de retalhos, ela mesma costurou.
Cobria seu velho companheiro,
Antes de finalmente se deitar
E 'afofar' seu travesseiro.

O cãozinho e o gatinho, também são seus companheiros:
Deitam-se com o casal, tão logo percebam o silêncio da noite.
Aos pés deles, ficam quietinhos...
E na madrugada fria de inverno,
Cada um se esquenta no calor do outro,
A colcha, é apenas um detalhe.

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sexta-feira, 3 de maio de 2013



Me pego olhando para trás.
Vão me chamar de louco e insano. Contraditório aos poetas e intelectuais que brindam o carpe diem, vivendo de presentes para futuros, afogando as vivências passadas.
Eu não. Eu vivo de passado!
Não nele, mas dele. De seus ensinamentos.
Toco minhas próprias feridas, estudo as minhas vitórias.
Sou crítico da minha vida, pois não há outra forma de me assumir, de ser convicto.
Estou buscando o passado. Revendo cada lugar, cada detalhe, cada deslize, cada acerto.
São eles que me formam. Meu passado sou eu.
Não dá pra ser hoje, sem antes ter sido ontem.
Eu venho crescendo e me formando com o tempo.
E tudo que vivi, realizei e presenciei somam o resultado do que tenho construído.
Que bom que caí, que chorei, que me cansei.
Que bom que tive ganhos, acertos, alegrias.
O sabor do hoje está no ontem.
Se hoje eu estou sorrindo, quero aumentar meu riso lembrando que as outras lágrimas se foram.
E quando choro, quero ter a certeza de que sobrevivo. E poder chorar de novo é um sinal de sobrevivência.
Quero sentir o cansaço de minhas pernas lembrando que é resultado das minhas corridas divertidas, e da minha juventude apressada, mas que sempre entendeu a urgência das minhas jovens necessidades.
Quando me pego olhando para trás, afogo em mim mesmo. Releio-me. Descubro-me.
Vou me conhecendo e reconhecendo, pouco a pouco. Investigando meus atos, refletindo os caminhos pelos quais me levei.
Quero saber por onde eu vim, e trazer a certeza do lugar para o qual desejei ir. Pois, se eu não lá chegar, saberei por onde voltar, e como reaproveitar tudo o que já caminhei.
Sou formado de mim mesmo. Dos meus pedaços de vida. Dos meus passados.
O meu hoje, amanhã será ontem. E o que estou sendo agora também me incorporará.
Dizem eles (eles sim, insanos poetas), aos quatro ventos, que eu deveria me focar no hoje, que é mais certo que o futuro, e deixar para trás o passado.
Mas, esquecem-se que hoje eu não seria nada sem o meu ontem.
Não quero esquecer o passado.
Não quero deixar para trás.
Tenho-o carregado comigo, sob pena de sofrer um vazio irreparável de inexistência.
Olhando para trás, aprendo comigo mesmo. Sou eu o meu melhor professor.
Pois eu que conheço o peso de cada riso e cada lágrima na minha formação. Somente eu posso afirmar com certeza, ainda que vulnerável - mas contra mim incontestável, o que me é intimo, o que sou eu.
Olhando para trás, eu me desejo. E me direciono.
Eu vivo mesmo é de passado.

Paulo Henrique Silva Almeida

sábado, 13 de abril de 2013


Entre o EGO e a ALMA

Enquanto pensamos que a morte é o que mais separa as pessoas, o Ego desde sempre, vem fazendo esse “serviço” muito mais que ela. Não há nada que vença o Ego em termos de separações!

E como ele age?

- No Casamento e nas relações românticas: em nome do “incompatibilidade de génios”, homens e mulheres se separam, sem darem chance à flexibilidade que faria com que ambos, de comum acordo, cedessem um pouco.

Não! Para o Ego não tem acordo quando se trata de ceder. Seria rebaixar-se! Ele só entende assim.

- Nas Amizades: uma atitude ou uma palavra mal usada são, muitas vezes, suficientes para que amigos se separem, deixando cair no esquecimento as tantas coisas boas que fizeram brotar uma tão valiosa amizade.

Não! O Ego não admite erros nem pedidos de perdão. Seria abrir mão da punição! Ele só entende assim.

- Nas famílias: tantos pais, irmãos e filhos se separam, só pela necessidade de impor suas vontades, de ver "quem manda aqui", quem ganha a condição de dono da última palavra. Na maioria dos casos, numa reunião familiar, e com um pouco de humildade todos saberiam até onde ir e quando parar.

Não! O Ego quer deter o poder sobre tudo e sobre todos. Limites seriam subserviência! Ele só entende assim.

- Nas Carreiras: as pessoas escolhem seguir a mesma carreira ou carreiras diferentes, e muitas dessas pessoas gastam a melhor parte da sua vida competindo, vigiando, farejando os passos das outras, dada a necessidade de ser “o melhor”. Quando a consciência de que “o Sol nasce para todos” faria isso parar.

Não! O Ego quer ganhar sempre custe o que custar. Aceitar vitórias alheias seria fracassar! Ele só entende assim.

Em todas as situações de conflitualidade que acabam determinando separações, o Ego está presente e sempre quer ganhar.

É no carro, em brincadeiras desnecessárias; é no trabalho com críticas desnecessárias aos colegas; é nas escolas; é nas guerras, onde ganhar é uma questão de vida ou de morte, é na vizinhança…. Por todo o lado…. Infinitamente.

Pense em algo parecido não citado aqui e que tenha separado pessoas, e aí está a ditadura do Ego.

Não!

Não é a morte que provoca mais separações!
É o Ego, o filho predilecto do orgulho!

 Texto adaptado de Silvia Schmidt

Mas agora não se revoltem contra o Ego nem o ridicularizem, porque ele em muitos casos nos prestou um bom serviço e nos ajudou a descobrir muitas coisas belas sobre nós mesmos, porque o Ego não é totalmente mau. Nos estágios iniciais de desenvolvimento Humano ele representa a vontade de ser e precisa de ter algum senso de auto-estima para mantê-la, até que a Alma adquira a força e o desejo pela autotranscendência. Neste ponto o Ego Divino atraído pelo verdadeiro desejo da Alma, substitui este Ego inferior que não é mais necessário para manter a percepção finita.

Precisamos de ir removendo este Ego como se fosse uma máscara que tapa o nosso Verdadeiro Eu. Por isso o que temos mesmo de fazer é ir retirando essa máscara que colocámos sobre a nossa Divina Presença e mostrar o Divino que há em cada um de nós, ou seja, aquilo que está brilhando por de trás da máscara, que é uma LUZ muito intensa, radiante e tão forte, que até por vezes podemos ver o seu brilho através da máscara.

Sintam em cada um de vós essa LUZ e AMOR… e nunca... mas nunca mais se esqueçam que as Almas nunca discutem... só mesmo os Egos.

quinta-feira, 11 de abril de 2013


A melhor idade do amor 
Sábado, dez horas e vinte e um minutos da manhã. Chuva insistente de outono.Um casal adentra uma panificadora para tomar café.
Dois cafés com leite e três pães de queijo, por favor.
Ela parece um pouco agitada. Não tira os olhos dele.Ele parece tranquilo, dessas pessoas que já conseguem viver num tempo um pouco mais lento do que o do relógio.
A diferença de idade é gritante. Não mais de quarenta, ela. Próximo aos oitenta, ele.
Ele olha para fora pela janela entreaberta.
Ela sorri, carinhosa.
Todos os seus filhos nasceram aqui nesta cidade?
Ele pensa um pouco... - Sim, todas elas... Três filhas.
E você? Onde nasceu?– Volta a inquirir a mulher.
Eu não sou daqui. Nasci no interior... Longe da cidade.
E o que você lembra de lá?
Ah... Muitas coisas... – Responde ele, com leve sorriso.
Então, silencia. Parece fazer algum esforço para recordar de algo especial, mas logo desiste. Volta a olhar para fora, procurando a chuva fina.
Sabe... Acho que tive uma vida feliz...
Ela permanece interessada. Um interesse de primeiro encontro. Observa os cabelos brancos dele, a tez um pouco castigada, os olhos azuis.
Respira fundo. Alguém poderia dizer que é o respirar de quem está apaixonado.
Você só casou uma vez? – Pergunta ela, com certo embaraço na voz.
Sim. Tereza. Mãe de minhas meninas. Que Deus a tenha.
Ela fica um pouco emocionada e constrangida, repentinamente. Esboça um sorriso para disfarçar. Olha para a mesa. Ainda resta um pão.
Pode comer. Já estou satisfeita.
Almoçamos juntos amanhã? – Pergunta ele, ansioso por ouvir um sim.
Sim... Claro que sim. É dia de almoçarmos juntos. Você sabe que gosto muito de estar com você, de ouvir suas histórias...
Estou um pouco esquecido hoje, eu acho. Contei pouco...
Não tem problema. – Diz ela, carinhosa. -Tem dias que a gente está com a memória mais fraca mesmo.
Doutor Maurício disse que é importante ficar puxando as coisas da memória sempre. Ele diz que é como um exercício físico que fazemos para não “enferrujar”. – Conclui ele.
É verdade... – Ela suspira. – Precisamos cuidar da memória...
Novamente um longo silêncio entre os dois.
Ele volta a vislumbrar o exterior, contemplativo.
Ela nota seu rosto em detalhes, ternamente.
Fecha os olhos, por um instante, como se fizesse uma breve oração, uma rogativa sincera a uma Força Maior.
Volta a abri-los, vagarosamente, e então pergunta:
Pai...Pai... Posso pedir a conta?
Ele acena positivamente. A conta chega. Ela se levanta primeiro, vai em direção a ele, envolve-o num abraço e o ajuda a levantar.
Aquela era a rotina de todo sábado, às dez horas e vinte e um minutos da manhã, nos últimos dez meses.
*   *   *
Foram nossos genitores que nos proporcionaram um corpo, abençoado instrumento de trabalho para o nosso progresso, bem como um lar.
Pensando em tudo isso, louve aos seus pais. Cuide deles, agora quando estão velhos, alquebrados, frágeis ou doentes.
Faça o possível para não os atirar nos tristes quartinhos dos fundos da casa, aonde ninguém vai. Não se furte à alegria de apresentá-los aos seus amigos e às suas visitas;
Ouça o que eles tenham a dizer. Quando estejam em condições para isso, leve-os para as refeições à mesa com você. Retribua, assim, uma parcela pequena do muito recebido por seus genitores anos atrás.

Redação do Momento Espírita com base no cap. 7, do livro Ações
corajosas para viver em paz, pelo Espírito Benedita da Silva,
psicografia de José Raul Teixeira, ed. Fráter
Disponível no cd Momento Espírita, v. 19, ed. Fep
Em 09.08.2012.

quarta-feira, 10 de abril de 2013


O ESPIRITISMO
O Consolador Prometido 

Frequentemente muitas pessoas apresentam diversas dúvidas acerca do livre-arbítro e do determinismo.
Analisemos como a Doutrina Espírita se posiciona.

"A cada um será dado segundo as suas obras." JESUS (Mateus, cap. 16, vers. 27)

O LIVRO DOS ESPÍRITOS, ALLAN KARDEC

115. Dentre os Espíritos, alguns foram criados bons e outros maus?

Resposta: "Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, ou seja, sem conhecimento. Deu a cada um uma missão com o objetivo de esclarecê-los e de fazê-los chegar, progressivamente, à perfeição pelo conhecimento da verdade e para aproximá-los de Si. A felicidade eterna e pura é para os que alcançam essa perfeição. Os Espíritos adquirem esses conhecimentos ao passar pelas provas que a Lei Divina lhes impõe. Uns aceitam essas provas com submissão e chegam mais depressa ao objetivo que lhes é destinado. Outros somente as suportam com lamentação e por causa dessa falta permanecem mais tempo afastados da perfeição e da felicidade prometida."
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843. O homem tem sempre o livre-arbítrio?
Resposta. "Uma vez que tem a liberdade de pensar, tem a de agir. Sem o livre-arbítrio o homem seria como uma máquina."
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845. Não constituem obstáculos ao exercício do livre-arbítrio as predisposições instintivas que o homem já traz consigo ao nascer?

Resposta. “As predisposições instintivas são as do Espírito antes de encarnar. Conforme seja este mais ou menos adiantado, elas podem arrastá-las à prática de atos repreensíveis, no que será secundado pelos Espíritos que simpatizam com essas disposições. Não há, porém, arrastamento irresistível, uma vez que se tenha a vontade de resistir. Lembrai-vos de que querer é poder.”
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859. Com todos os acidentes, que nos sobrevêm no curso da vida, se dá o mesmo que com a morte, que não pode ser evitada, quando tem que ocorrer?

Resposta. “São de ordinário coisas muito insignificantes, de modo que vos podeis prevenir deles e fazer que os eviteis algumas vezes, dirigindo o vosso pensamento, pois nos desagradam os sofrimentos materiais. Isso, porém, nenhuma importância tem na vida que escolhestes. A fatalidade, verdadeiramente, só existe quanto ao momento em que deveis aparecer e desaparecer deste mundo.”

a) - Haverá fatos que forçosamente devam dar-se e que os Espíritos não possam conjurar, embora o queiram?

“Há, mas que tu viste e pressentiste quando, no estado de Espírito, fizeste a tua escolha. Não creias, entretanto, que tudo o que sucede esteja escrito, como costumam dizer. Um acontecimento qualquer pode ser a conseqüência de um ato que praticaste por tua livre vontade, de tal maneira que, se não o houvesses praticado, o acontecimento não seria dado. Imagina que queimas o dedo. Isso nada mais é senão resultado da tua imprudência e efeito da matéria. Só as grandes dores, os fatos importantes e capazes de influir no moral, Deus os prevê, porque são úteis à tua depuração e à tua instrução.”
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861. Ao escolher a sua existência, o Espírito daquele que comete um assassínio sabia que viria a ser assassino?

Resposta. “Não. Escolhendo uma vida de lutas, sabe que terá ensejo de matar um de seus semelhantes, mas não sabe se o fará, visto que ao crime precederá quase sempre, de sua parte, a deliberação de praticá-lo. Ora, aquele que delibera sobre uma coisa é sempre livre de fazê-la, ou não. Se soubesse previamente que, como homem, teria que cometer um crime, o Espírito estaria a isso predestinado. Ficai, porém, sabendo que a ninguém há predestinado ao crime e que todo crime, como qualquer outro ato, resulta sempre da vontade e do livre-arbítrio.

“Demais, sempre confundis duas coisas muito distintas: os sucessos materiais e os atos da vida moral. A fatalidade, que por algumas vezes há, só existe com relação àqueles sucessos materiais, cuja causa reside fora de vós e que independem da vossa vontade. Quanto aos da vida moral esses emanam sempre do próprio homem que, por conseguinte, tem sempre a liberdade de escolher. No tocante, pois, a esses atos, nunca há fatalidade.”

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O Espiritismo
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