segunda-feira, 16 de maio de 2011

Para você minha querida Amiga Veroca, que me mandou esta linda poesia.
Beijos e obrigada 
Em Degradé
Ana Jácomo.

Algumas preciosidades morrem baixinho, em dégradé.
Como morrem as tardes.
Como morrem as flores.
Como morrem as ondas.

Quando a gente percebe, já é noite e o céu,
se está disposto a falar, diz estrelas.

Quando a gente percebe,
as pétalas já descansam o seu sorriso no colo do chão.

Quando a gente percebe,
o canto da onda já enterneceu a areia.

Muitas dádivas que nos encontram, que nos encantam,
têm seu tempo de viço, sua hora de recado,
e seu momento de transformação
em outro jeito de lindeza.

A noite também é bela do jeito dela.

As pétalas caídas viram húmus para fertilizar o solo
que dará a vez de outras flores sorrirem.

A areia molhada conta a canção da onda
e da sua acolhida terna para a nossa vida descalça.

Lutar contra a impermanência da cara das coisas
é feito tentar prender o azul macio das tardes,
segurar o viço risonho das flores, amordaçar as ondas.

É inútil.

Costumamos esquecer que
não podemos impedir a mudança:

Tudo dança a coreografia sábia
e implacável da impermanência.

Mas a música daquilo que verdadeiramente
nos toca com amor,
não importa o quanto tudo mude
- e tudo muda -,
não deixa nunca mais de tocar e viver,
de algum jeito, no nosso coração.

Um comentário:

Veralucia Vieira disse...

Querida Amiga!
Eu lhe enviei esta Poesia porque também gostei muito e partilhar é sempre muito bom.
Obrigada por seu carinho.
Beijo

Veroca